Alexia e Tutu - O reencontro

Alexia espreitava sobre uns caixotes de madeira, empinando o seu traseiro proeminente realçado por uns calções de licra vermelhos. As pistas que a loira e Tutu tinham seguido levaram-nos a um armazém abandonado junto ao rio Tejo, algures na marginal.
- Ããã, vês alguma coisa Alexia? – perguntou Tutu, com a cabeça baixa junto às duas nádegas vermelhas da loura, tentando conter o fio de baba que teimava em escorrer.
- Cala-te! Não nos podem ver aqui, senão estamos feitos! – respingou alexia – Daqui só consigo ver 5 tipos a embalarem uns fardos e a carregá-los para umas carrinhas. Estranho, parecem ter o símbolo da... Transtejo! Deve ser para camuflar o transporte.
- Ãããã... isso não são os barcos? Não é melhor telefonar ao chefe Victor?
- Claro que não Tutu, só depois de termos mais informações. Vou tentar ouvir aqueles dois – disse apontando para os tipos e rastejando na sua direcção, ocultada pelos caixotes. Aquela posição de quatro lembrava-lhe sempre as noites animadas lá na esquadra “Que saudades!”, pensou, escutando então a dupla.
- Desta vez temos uma carga do melhor, Pintarola – disse o mais baixo para o outro – erva colhida e pronta a sintetizar, muito boa. O Fronhé vai ficar bem satisfeito.
- É bom que sim, porque lembro-me de uma vez em que a erva vinha estragada... O tipo que a entregou nunca mais foi o mesmo – disse com uma expressão de horror – desgraçado do Erto Atreu, foi torturado com colunas e placas de sílica, até os seus gritos ecoarem pelo edifício durante horas!
- Não te preocupes com isso, não temos nada a temer que a erva é boa – descansou Pintarola – temos de ver é se a Lana "Raposa" não nos chateia hoje!
- Quê, a mulher dele vem cá hoje Paulito? Mas que treta! – protestou Pintarola
Alexia achou que já tinha ouvido o suficiente e voltou para junto de Tutu. “Pelos vistos a festa é de arromba hoje, até a "Raposa" vai cá estar” pensou.
"Raposa" era nem mais nem menos que sócia e consorte de S. P. Fronhé. Geria-lhe os lençóis e os negócios, tratando de supervisionar directamente tanto uns como outros, bem como certos empregados. Algumas pessoas atreviam-se mesmo a dizer que sem ela o rijo indiano já não estaria a vender erva sintética, mas sim rosas.
- Tutu, parece que a Lana Raposa vai cá estar – disse Alexia ao rapagão – se a conseguirmos seguir e ao transporte da mercadoria podemos dar com o esconderijo do Fronhé!
- Ãããã... acho que isso também lhes deve interessar – disse Tutu, apontando para duas figuras que surgiam das sombras, uma feminina e outra de barbas.
- Cléo!! – gritou Alexia, atónita - grande pega, o que fazes aqui??
- Grande, e com muito gosto minha reles – respondeu Cléo – estou aqui pelo mesmo que tu: o indiano.
- Sua... sua nojenta! – disparou – este caso é meu e do Tutu, não te vou deixar intrometer!
- Não podes fazer nada, grande porca – riu-se a outra loura – estou neste caso, e até aos meus grandes peitos. E já agora, arranjaste novo chulo foi? Sempre gostaste deles grandes e moles!
- Eu trabalho sempre por conta própria – disse Alexia, reparando pela primeira vez na figura esguia de barbas, vestindo um sobretudo e que ladeava Cléo – já tu, minha cabra... Novo gerente do entrepernas é? Saiu de onde, casal ventoso?
- Os teus insultos sempre me puseram bem disposta Alexia – riu-se com uma gargalhada bem sonora – este é o meu parceiro, o Arães. Deve ser bem mais útil que esse gigante aí.
- Ãããã, Alexia... – chamou Tutu, puxando o braço à loura
- Cala-te! – disse, furiosa – Antes gigante que pedinte! E realmente é bem grande, e a todos os níveis! E duro que nem uma rocha! E bem melhor que esse maltrapilho aí!
- Não sou um pedinte, mas punha-te a pedir por mais e mais depois de te mostrar aqui uma ferramenta – respondeu Arães, venenoso – a não ser que já estejas muito... consertada!
- Ãããã, mas Alexia... – tentou novamente o seu parceiro chamar-lhe a atenção
- Ãã nada, cala a boca Tutu! – ralhou outra vez a loura – ouve lá meu bandalho, vejo que já aprendeste os modos ali da pega Cléo! Queres o quê, que eu te... – continuava Alexia quando foi interrompida por uma quinta pessoa
- Muito bem meus passarinhos – disse Lana "Raposa", sem se saber bem para quem olhava – que estão aqui a fazer a espreitar? Está na horinha de dormir! Pintarola, Paulito, força com isso!
Alexia e os outros viram-se envoltos numa nuvem de gás, caindo quase imediatamente num sono letárgico e profundo. “E não é que o Tutu também usa a boca para outras coisas além do meu corpo...” pensou Alexia à medida que adormecia.

(continua)

Comentários

annie disse…
Lindo!! Há mais? :P
Chas. disse…
Viva o Fronhé!!!
Mto fixxxe. Venha o resto.
Anónimo disse…
achei que embora o texto não tenha nenhuma ideia nova, nem tão pouco alguma validade literária, congratulo-me de ver jovens que, não tendo nada para fazer de util, escrevem... parabéns!
João disse…
A única idéia que eu queria que este texto passasse foi o quanto me divirto a escrevê-lo, e essa realmente não é nova, já vem dos outros 2. Quanto à sua ausência de validade literária, poucas pessoas podem afirmá-lo e fazer com que eu me importe com essa crítica, e tu de certeza não és uma delas. Quanto a eu não ter nada para fazer de útil, é preferível escrever textos destes do que vir fazer comentários idiotas como o teu, essa sim prova de quem não tem nada para fazer.
annie disse…
Se é tao mau pq leste? lol comentario triste! o pior ainda é seres anonimo.
alphatocopherol disse…
Muito bom, muitissimo bom!!! A trama adensa-se... QUEREMOS MAIS! :)
Steïn disse…
Gostei bastante do texto, realmente está muito divertido e está muito bem escrito. Verdade que quem não souber da realidade poderá estar um pouco à nora mas mesmo assim continua a ser um grande texto. Espero por continuações, de preferência com uma caricatura do autor
Captain Dildough disse…
Transcrevo aqui uma sugestão que ouvi:
"Penal - Textos sem qualquer conteúdo literário" :)

Fica o apontamento pró webmaster...

E pró autor, e não é a primeira vez que lho lembro, sugiro que pondere a eventualidade, cada vez mais inevitável, de um tarantinesco "face-off" entre as duas famigeradas profissionais...

De resto, continue, que está muito bem assim.

Pelo menos é o que diz o meu nabo.

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